A vida é engraçada, quando tu acha que tem tudo, não tem porra nenhuma.
Tu sonha, planeja, começa a fazer algo por alguém, pois confia cegamente nessa pessoa. Tu constrói uma vida em um tempo que não é possível construir uma casa. Como faz isso? Com amor. Com o maldito amor.
Tu cava buracos, valetas extremamente fundas dentro de ti, e de um outro alguém. Pois uma construção, precisa de uma grande sustentação.
Sabe que não terá volta, que aquelas vigas estão profundas demais, mas não quer pensar nisso, só pensa no quanto aquilo pode ser perfeito. É uma vida. Uma vida ao lado de quem tu ama. Da única pessoa que realmente amou. Tu vai se preocupar com o que? Errado.
Dia a dia, tu vai colocando blocos, construindo caminhos, erguendo alicerces. E quando tu tropeça e derruba alguma coisa que já estava pronta, trabalha dobrado pra recuperar o tempo perdido. Faz tudo isso, com ajuda. Ou aparente ajuda. Sempre pensando que você nunca está sozinho, sabendo que uma pessoa sempre vai te passar o próximo bloco, e que no fim de suas construções, irão admirar cada pedaço da obra prima que construiram. Errado.
Eis que tu começa a notar que está pegando blocos sozinhos, que não existe ninguém pra te ajudar. Quando tu olha mais detalhadamente, percebe que um lado dessa vida está trincando. Mas sabe o que tu faz? Confia. Pode ser apenas sua impressão. Não pode estar acontecendo.
E antes que você possa se preparar para qualquer coisa, tudo desaba. E o pior, em cima de ti. E quando você começa a se levantar e olha o que aconteceu, percebe que os alicerces do outro lado foram retirados. Não existe estrutura para segurar aquela construção. E os buracos no chão, onde estão? Foram cobertos? Não sei. Talvez movidos e preenchidos com outras vigas.
Aí, tu retira os escombros, retira toda a sujeira que deixaram dentro de ti e arranca as vigas do teu peito. E o que sobra? Enormes crateras que você não pode fechar. E quando olha a frente, vê uma montanha de entulhos aos quais tu chamava de vida. E o que faz? Tomba.
Tu recebe promessas de uma vida inteira, e no final, te sobram maços vazios de marlboro vermelho, crateras incuráveis no peito e vozes que não deveriam existir.
Cubra-os. Torne-os invisíveis. Mesmo que continuem lá.
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